Vinte anos do clássico “ROOTS” do Sepultura


No dia 20 de fevereiro de 1996, o Sepultura levava às lojas do mundo inteiro seu sexto disco, uma verdadeira obra-prima do metal: “Roots”. E não foi por acaso que o álbum vendeu mais de 2 milhões de cópias e é celebrado até hoje. A sonoridade, o ritmo, o peso, a atitude… Tudo o que cercava o álbum era incrível e inovador, desde o hit “Roots Bloody Roots” até a revolucionária “Itsári”.

Este sábado marca os 20 anos do álbum, e por isso listamos 5 dos motivos por que “Roots” jamais será esquecido pelos fãs da boa música pesada. Bote o som do disco para tocar e fique por dentro abaixo!



O disco surgiu de um “sonho” de Max Cavalera, que também era um desejo da banda: unir o metal ao som do Brasil

Em uma entrevista de 2008 para a revista Kerrang!, Max contou que havia sonhado com uma viagem ao interior do Brasil, a lugares florestais e inóspitos, um pouco antes das gravações de “Roots”. Esse sonho acabou representando um desejo antigo do grupo: se conectar com o som nativo do Brasil; e foi justamente isso que aconteceu no disco. “Roots" mistura o metal extremo da banda com muitas sonoridades brasileiras diferentes, desde o samba-reggae até a música indígena. Uma pegada muito inovadora já perceptível no disco “Chaos A.D.”, mas que chegou ao ápice no 6º álbum dos caras.

As faixas inovadoras se tornaram grandes hits, o que abriu os olhos (e ouvidos) do metal para a música nativa

Os três singles de “Roots” se tornaram sucessos enormes na cena do metal, e todos eram bons representantes da mistura do peso com o som brasileiro. “Roots Bloody Roots” abria o álbum com uma seção rítmica lembrando as batucadas do samba-reggae, “Attitude” começa com um berimbau e é carregada por um canto indígena, e “Ratamahatta” é simplesmente a parceria da banda com Carlinhos Brown, e uma das faixas mais simbólicas do Sepultura. Até aquele dia, ninguém havia feito algo tão selvagem (em todos os sentidos) no metal.



O Sepultura realmente foi até a floresta para gravar uma faixa de “Roots”

Uma das músicas mais impressionantes de “Roots”, “Itsári” foi gravada junto a uma tribo xavante, capturando todo o sentimento e o poder dos cânticos e ritmos indígenas. E o que mais surpreendeu na época foi que a banda gravou realmente junto aos indígenas, viajando até a tribo e discutindo o arranjo com os nativos. Foi uma composição conjunta, uma troca de vivências e ideias. Paul Simon, Brian Eno e David Byrne já haviam feito coisas parecidas na época, mas em discos baseados em samples e mixes da música indígena. O Sepultura fez o contrário, criando uma obra coletiva ao lado dos nativos.

Mais do que uma obra popular, o Sepultura fez um disco celebrado por especialistas

Martin Popoff, autor do livro “The Collector's Guide to Heavy Metal”, coloca o disco na 11ª posição entre os melhores discos de metal de todos os tempos, destacando-o como um álbum de hardcore “futurista” e uma obra-prima do metal. E ele não está sozinho nessa. Kerrang!, Q Magazine, Rolling Stone Brasil e outras revistas também classificaram o álbum de forma semelhante, como um dos maiores do gênero e até da música brasileira. É uma confirmação da crítica para a imensa importância do trabalho.

Além dos sons nativos, “Roots” redefiniu o metal (e a música) para sempre.

“Roots” foi o disco de metal mais popular do mundo no tempo em que uma nova ideia de som pesado estava se formando, e foi essencial para a propagação desse pensamento. Apesar de ter uma mistura grande de gêneros, o álbum é considerado um dos maiores responsáveis pelo estabelecimento do nü metal e a evolução do groove metal. O Sepultura acabou recebendo a influência de bandas como o Pantera e criando um som ainda mais quebrado e experimental, inspirando inúmeros grupos nos anos seguintes. De Limp Bizkit a Deftones e Linkin Park, toda uma geração foi marcada pelas batidas extremas de Max, Igor, Andreas e Paulo.

No fim das contas, a importância de “Roots” é imensurável, e o disco jamais será esquecido pelos fãs da boa música.

Warner